coagito

A defesa de Feliciano

Recentemente me chegou um video do pastor Feliciano com relação ao projeto de lei PDC 234/2011 que ficou conhecido como a cura gay. Sob o pretexto de que devemos sempre olhar todos os lados de um argumento, assisti o referido video e segue a minha análise do dito.

O video começa com uma seqüência de clipes da impressa debochando da medida, o pastor afirma que houve desonestidade intelectual na interpretação por parte de media, afirmação que o pastor tenta provar ao longo do video, isso não chega a ter um caso de argumento circular, por que ele não usa esta afirmação como premissa para o seu argumento, no entanto ele tenta criar uma inclinação emocional de descreditar a media o que constitui uma falácia de ad hominen do tipo especifico de envenamento da fonte.

Em seguida o pastor tenta convencer o espectador de que não foi o projeto que criou o conceito de cura gay, que na verdade ele removeu este conceito da resolução do conselho de psicologia, ele tenta passar a idéia de que ao fazer isso, na verdade o projeto estaria eliminando o conceito de cura gay, mas vamos revisar o parágrafo:

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Observe que ao retirar este parágrafo, de fato a nova lei estaria permitindo que psicólogos se proponham a curar, ou participem de eventos que se proponham a curar, a homossexualidade. Portanto, ao tirar a proibição do oferecimento da cura da homossexualidade, ele está na verdade permitindo que se ofereça cura da homossexualidade.

Observe também que este parágrafo não impede que um psicólogo atenda um homossexual e o ajude lidar com seus problemas que sejam relacionados a homossexualidade e até mesmo que o ajude a mudar de orientação se ele assim o desejar, o que o parágrafo proíbe é o oferecimento de cura que implicaria na idéia de que seja uma doença. No entanto, o pastor tenta convencer sua audiência que psicólogos seriam compelidos a recusar assistência aos homossexuais por causa dessa lei, mas isso não decorre da lei original.

Ainda neste trecho, ele afirma que ao vetar aos psicólogos de oferecer a cura, a resolução do conselho de psicologia estaria prevenindo os psicólogos de estudar, mais uma afirmação que absolutamente não decorre do dito parágrafo, estudar e oferecer cura são duas coisas completamente diferentes.

Em seguida ele passa a falar do artigo 4, e observe aqui a sutileza: ele não mostra o artigo inteiro no video, e sempre que o artigo aparece é uma aparição breve não permitindo a leitura completa do artigo, ele também nunca lê o artigo por completo.

Nesta parte ele argumenta que este artigo infringe a liberdade de pensamento e expressão, que o artigo se opõe ao artigo 5 de nossa constituição, o tempo todo dando a entender que o pisicólogo não pode tocar no assunto da homossexualidade de qualquer forma e em qualquer contexto.

Então vamos ver o que nos diz este artigo:

Art. 4o – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

O grifo é meu para mostrar a parte que o pastor ocultou. Em primeiro lugar “nos meios de comunicação de massa”, ou seja, a proibição não diz nada a respeito de proibir discussão e debate, o que não pode ser feito é pronunciamento por meio de comunicação em massa.

Além disso: “de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”

Ou seja, os pisicólogos não são permitidos fomentar preconceito de que homossexualidade é doença em comunicação em massa. Ou seja algo esperado de qualquer psicólogo ético ou responsável, o que nos leva a falha final do argumento dele: como cidadão comum, o psicólogo pode pensar e dizer o que quiser e a resolução não lhe tira este direito.

Mas no papel de psicólogo ele deve zelar por uma conduta ética de forma a não causar danos por meio da sua profissão, e caso ele falhe em fazê-lo, o que ele perde é justamente a permissão de atuar como pisicólogo, nada mais nada menos.

Sendo assim, o artigo 4 da resolução não só não vai contra o artigo 5 da constituição como é um artigo bem razoável de se exigir dos pisicólogos.

Uma incoerência menor pode ser vista no final desta parte, onde ele afirma que tudo isso foi feito para desviar a atenção das manifestações, da mesma forma que foi feito a 3 meses atrás, má no começo do vídeo ele afirma justamente que não havia manifestações.

Ele no final usa de vários artifícios para incitar emoção no espectador, tenta criar um vínculo, elogiando as passeatas, se mostrando uma excitação que não estava presente até então, supostamente se revoltando e volta a afirmar que foi o conselho que falou de cura gay, e que a comissão haveria removido o termo cura gay, mas volto a realçar, o conselho proibia que se referisse a homossexualidade como doença, e portanto a comissão, ao remover esta proibição, deu permissão de se referir a homossexualidade como doença.

Agora, quem está mentindo? Quem está praticando desonestidade intelectual? Se sentiu manipulado por ter concordado com o vídeo do pastor?

Sugiro que se reassista o vídeo agora com estas coisas em mente para que se fique bem exposto o teatrinho que ele faz.

 

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Clarificando: Democracia

A intenção deste post é clarificar o conceito de democracia e a tomar das mãos da falsa esquerda, a esquerda demagoga que predomina no cenário partidário de nosso pais, que não tem interesse real em favorecer o povo e o social e sim tomar para si o poder, usando o povo como um mero trampolim para o poder.

Democracia, do grego: governo do povo, pressupõe a tomada de decisões de acordo com a vontade da maioria. Isso difere de liberdade irrestrita e inexistência de regra e normas, ao contrário, as regras e normas existem e emanam do povo.

E quando a maioria decide que não deve haver bandeiras de partidos e outras organizações, então esta é a vontade do povo, e qualquer um que tenha respeito pela democracia, deveria respeitar esta decisão, argumentando caso não concorde mas nunca tentando impor sua própria vontade sobre a vontade da maioria.

A afronta a democracia não está em o povo tomar as bandeiras e sim em insistir em levar as suas bandeiras para sequestrar o movimento e usar o mesmo como propaganda eleitoral.

É cansativo ver estes grupos que são incapazes de viver com a opinião dos outros, que taxam a tudo e a todos que não tenha exatamente a mesma opinião deles de facistas, e ainda tem a ousadia de dizer que os demais não são democráticos, quando eles mesmos são incapazes de se render a decisão coletiva. Grupos que veneram governos autoritários, ditatoriais, centralizadores acusando outros de não serem democráticos.

Está na hora de nos livrarmos destas viúvas do Stalin que se preocupam com o povo apenas para subir ao poder e se tornarem a nova elite governante. Estes hipócritas não só não são realmente esquerda, como são um câncer para o processo político, porque enlameiam as definições e criam falsos conceitos, enganam a população que é usada por eles e depois subjugada.

Chega desta desonestidade ideológica, chega destes aspirantes à senhores feudais com discurso enlatado que querem o capitalismo máximo onde existe apenas um grande dono de todos os recursos, territórios e meios de produção do pais. Dizem que querem colocar o povo no poder mas sonham em ser seus monarcas.

Querem dar poder ao povo? Sejam anônimos! Juntem-se ao povo em seus protestos, sem qualidade especial, sem privilégio ou posição especial, apenas como mais um.